O Poço 2: Continuação Tenta Inovar na Distopia, mas Falha em Criar Franquia de Sucesso
- Panorama da Semana

- 4 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 24 de abr. de 2025
Filme espanhol continua a história que foi sucesso na Netflix durante o período da pandemia

O Poço 2: Continuação Tenta Inovar na Distopia
Em 2020, a Netflix lançou "O Poço", um filme que, de forma discreta, foi ganhando espaço até explodir em popularidade. A pandemia de Covid-19, que manteve o mundo em casa, impulsionou ainda mais produções originais da plataforma, como "Old Guard," "Enola Holmes," e "Projeto Power." Entre esses sucessos, o suspense espanhol "O Poço" se destacou, apresentando uma prisão vertical em que os alimentos descem de plataforma em plataforma, gerando um dilema de sobrevivência: os presos nos andares superiores têm acesso à comida, enquanto os de baixo dependem da solidariedade dos que estão acima – uma dinâmica cruel e instável que muda a cada mês, com os prisioneiros sendo redistribuídos aleatoriamente.
Inspirado em clássicos como "A Fortaleza," "O Poço" usa a perspectiva de um protagonista tentando entender o regime do local antes de lutar contra o sistema. Passados mais de quatro anos e em um mundo que superou a pandemia, mas enfrenta novos desafios, a Netflix apresenta "O Poço 2", uma sequência que retoma o cenário da prisão com novos personagens e uma diferente dinâmica social.
Agora, acompanhamos Perempuán (Milena Smit) e Zamiatin (Hovik Keuchkerian, o Bogotá de "La Casa de Papel"), que enfrentam a plataforma já com a comida faltando pedaços. Em uma ordem imposta pelos "Leais," grupo que vigia o comportamento dos presos, cada pessoa só deve comer o que lhe pertence, ou trocar com o consentimento dos demais, para garantir que o alimento chegue aos andares inferiores. No entanto, como no primeiro filme, nem todos cumprem as regras, e os Leais punem quem não colabora.
Esta nova estrutura remete ao propósito do filme original, onde o protagonista Goreng (Ivan Massagué) e seu colega Baharat (Emilio Buale) tentam levar comida aos andares de baixo, promovendo a solidariedade. Diferente da repulsa ao alimento já consumido que vemos no primeiro filme, "O Poço 2" coloca em cena a disciplina e a tensão imposta pelos Leais e os Ungidos, líderes violentos que executam sua versão da justiça.
Enquanto "O Poço" abordava a crítica ao capitalismo e à disparidade social, "O Poço 2" muda o foco para a responsabilidade dos que estão em cima para com os que estão embaixo, seguindo os preceitos de um líder messiânico, o Maestro, que diz que "comer não é um direito, mas um dever". A narrativa sustenta interesse até certo ponto, mas quando Perempuán e Zamiatin começam a ser redistribuídos pelos andares, a sequência se perde em uma repetição de elementos do filme anterior. A entrada de novos personagens, como a atriz Natalia Tena (a Tonks de "Harry Potter"), sinaliza a tentativa de estender o universo da franquia, mas, em vez de expandir o conceito, acaba enfraquecendo-o com elementos pouco desenvolvidos.
O mistério em torno da criança nas instalações – elemento crucial do primeiro filme – ressurge na sequência como um detalhe mal explorado, parecendo apenas uma referência ao enredo original. A ideia de continuação acaba funcionando como uma memória do primeiro filme, mas não se sustenta sozinha.
“O Poço 2” exemplifica como o excesso de continuações pode esgotar o potencial de uma história original. A tentativa de criar uma franquia se torna um fardo, sugerindo que o filme perde força ao descer pelos "andares" da sua própria trama. Mesmo com um gancho para uma terceira parte, é evidente que sem uma abordagem criativa, novas sequências podem apenas repetir o que já foi contado.













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